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Do lamento à esperança

Estamos iniciando uma nova série de mensagens que será intitulada: “Do lamento à esperança”. Esses estudos serão baseados no 24° livro do Antigo Testamento chamado Lamentações. Embora Lamentações não cite o nome do autor e não possamos ter certeza de quem escreveu o livro, as antigas tradições judaicas e cristãs atribuem-no a Jeremias (2 Cr 35.25). O tema principal do livro é o sofrimento que sobreveio a Jerusalém quando Nabucodonosor, rei da Babilônia, capturou a cidade em 586 a.C.

O autor de Lamentações compreende com clareza que os babilônios eram meros agentes do castigo divino e que o próprio Deus destruíra sua cidade e seu templo (1.12-15; 2.1-8, 17,22; 4.11). No entanto, a atuação de Deus não foi arbitrária, já que o pecado desavergonhado que desafiava a Deus e a rebeldia que violava a aliança foram as causas principais do infortúnio do povo (1.5,8, 9; 4.13; 5.7,16). Ainda que o choro fosse esperado (1.16; 2.11,18; 3.48.51), sendo natural o clamor por punição contra o inimigo de Israel (1.22; 3.59-66), o modo certo de reagir ao juízo é o arrependimento sincero, de todo coração (3.40-42). O livro que começa com uma lamentação (1.1,2) termina acertadamente com arrependimento (5.21,22).

E a esperança onde fica? No meio do livro, a teologia de Lamentações chega ao ápice ao focalizar a bondade de Deus. Ele é o Senhor da esperança (3.21,24, 25). De Deus também provém o amor (3.22), a fidelidade (3.23) e a salvação (3.26).

Em tempos de desafios extremos, lamentar sempre será mais natural do que desenvolver a fé e ter esperança. Em momentos de falência e ambiente mortífero, endurecer o coração sempre será o atalho em vez do reconhecimento do pecado e do arrependimento genuíno. Mas será assim para os cristãos? Será essa a perspectiva do povo de Deus?

“Todavia, lembro-me também do que pode me dar esperança.” (Lm 3.21)

Pr. Dan Oliveira

Obs.: 2° e 3° parágrafos retirados da Bíblia de Estudo NVI.

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O SEGREDO DO CONTENTAMENTO CRISTÃO

Muitas vezes, na caminhada cristã, deparamo-nos com padrões que fogem à maneira de Cristo e dos discípulos da Igreja Primitiva de encararem a vida. Ao tratarmos da temática “contentamento cristão”, temos mais em mente os sentimentos e sensações de alegria, atrelados à pós-modernidade. Todavia, quase nunca nos perguntamos qual é o segredo do contentamento cristão?  

De acordo com o Pastor Oswaldo Mancebo Reis, ex-pastor da Igreja Batista Emanuel, a alegria ou contentamento descrito nas páginas da Bíblia, e principalmente na Carta aos Filipenses, tem algumas características interessantes: a) não é circunstancial; b) não é variável; c) não é humana; d) não é inatingível.  Essas afirmações nos ajudam a enxergar a realidade de um texto tão conhecido: “tudo posso naquele que me fortalece” (Fp 4.13). O que seria esse “tudo”? Os versos anteriores (10-12) nos ajudam com três lições valorosas acerca do verdadeiro contentamento.

Primeiramente, o versículo 10 nos apresenta “a alegria de cuidar e ser cuidado”. É nele quePaulo agradece as ofertas enviadas pelos filipenses. Pois estes, através de Epafrodito, encontraram novamente uma oportunidade para demonstrar o interesse que tinham pelo apóstolo. Através do envio desta carta é que Paulo mostra seu carinho e cuidado com a caminhada de fé dos irmãos da igreja de Filipos.

Em segundo lugar, está registrado nos versos 11-12, que Paulo anuncia que havia “aprendido a viver contente” em toda e qualquer circunstância,tanto na abundância como na escassez. O apóstolo cita como aprendeu a adaptar-se, pois em Cristo ele sabia ser humilhado ou honrado; afirmando que de tudo e em todas as circunstâncias já tinha experiência. Ou ainda, que podia andar abatido ou sobremaneira suprido, pois de todas as formas em todas as coisas havia sido instruído.

Como terceiro e último apontamento, Paulo compreende (v.13) “a alegria de contar com o poder de Deus”. Esse “tudo” está associado com tudo quanto agrada Deus, não significando superpoderes ou que iremos conseguir tudo o que queremos. Por fim, na nossa união com o Cristo vivo é que está o segredo do contentamento e a fonte de fortaleza permanente de Paulo. Assim, meus irmãos: “com a força que Cristo me dá, posso enfrentar qualquer situação” (Fp 4.13 NTLH).Pr. Dan Oliveira.

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A paz que gera alegria

Segundo estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS), 9,3% dos brasileiros têm algum transtorno de ansiedade. Por que nosso mundo sofre com tantos problemas como preocupações e ansiedade? Porque nós cristãos sofremos? Será que temos como evitar tudo isso? Sim. Mas como?

O contrário de preocupação é paz, e Paulo nos dá dicas valiosas de como encontrá-la em Filipenses 4.1-9. A primeira forma de não andarmos ansiosos é através da oração (v.6,7). Quanto você tem colocado diante de Deus as suas aflições, sua saúde, trabalho, família? Muitas vezes nossa falta de paz é porque não buscamos e confiamos em Deus e em sua soberania. Se crêssemos realmente no poder da oração, oraríamos muito mais. Nos falta fé e sofremos por isso.

Em segundo lugar, a paz com Deus é fruto de intimidade e de uma vida de santidade com Deus (v.8). Quantas vezes pensamos e falamos sobre tantas coisas, e esquecemos as coisas do alto, aquilo que realmente importa. Quando nossos pensamentos vão longe: o que tenho que pagar, alguém que perdi, o que está dando errado, deixamos isso ocupar nossos pensamentos e ficamos preocupados.”Tu, SENHOR, conservarás em perfeita paz aquele cujo propósito [mente] é firme; porque ele confia em ti” (ls 26:3).

Em terceiro, a paz com Deus vem de uma vida cotidiana e prática com Deus (v.9). Precisamos viver aquilo que aprendemos da Palavra. Se fizermos isso, o Deus da paz estará conosco. Sabemos que há muitas coisas que devemos fazer: perdoar, amar, ser submisso as autoridades, mas não o fazemos. “Grande paz têm os que amam a tua lei; para eles não há tropeço” (Sl 119:165).

Essa paz lança fora o medo e fez com que Paulo se alegrasse sempre no Senhor, mesmo em iminência de morte (v.4). Quanto temos vivido uma vida de devoção e de buscar a Deus? Quanto você tem sofrido por estar longe do Senhor? Quantas inquietações tem vindo a sua mente? Se vivermos uma vida de oração, pensamentos e vida prática corretos, tanto a paz de Deus (v.7) como o Deus da paz (v.9) estarão conosco.

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Os inimigos da cruz

Figurando, em uma ou outra face dessa moeda [cara ou coroa], é que se encontram as pessoas que interagem na igreja local. Algumas são pessoas exemplares na caminhada de fé cristã, enquanto outras se comportam como inimigos da cruz de Cristo em sua forma de viver [Fp. 3:17-21]. Acerca do testemunho cristão, primeiramente o foco não está em Paulo e sim em que outras pessoas se juntem a ele em humilde e radical dependência de Jesus. Veja bem, Paulo não se exime de ser exemplo, somente apontando para Jesus. Crê-se que um discípulo verdadeiro reflete o caráter de Cristo. Assim, Paulo ainda nos garante que existem pessoas que podem servir de exemplo, pois se parecem com Jesus, já que são considerados cidadãos dos céus e aguardam ansiosamente pela volta do Senhor e Salvador.

Por outro lado, muitas pessoas que se consideram cristãs, pela sua maneira de viver se tornam inimigos da mensagem de Cristo. Estas transitam nas igrejas, mas suas vidas não apontam para o Evangelho de Jesus. Paulo enfatizou o problema dos “mundanos/libertinos”, que eram também conhecidos como “antinomistas”, pois defendiam o abuso da liberdade na graça de Deus. Paulo enfatiza no verso 19 e traz as seguintes definições: a) O destino deles é a perdição, ou seja, essas pessoas não são salvas nem cidadãos dos céus, pois perdição deles está relacionada ao Juízo Final. Essas pessoas se deixavam levar por todos os desejos do corpo [instintos carnais] e pensavam que essas práticas em nada afetaria sua condição espiritual; b) O seu deus é o estômago. Isso é sinônimo de egocentrismo profundo, em que os desejos e apetites vêm em primeiro lugar e não o zelo por Cristo através de um testemunho coerente; c) orgulham-se do que é vergonhoso, vivendo como libertinos em podridão, bebedeiras, traições e sensualidade; d) só pensam nas coisas terrenas, fixando suas mentes nas coisas dessa vida, como por exemplo, seus caprichos pessoais, disputas ideológicas, etc., afastando o próximo do Evangelho.

Que Deus livre a igreja local de pessoas que são inimigos da cruz de Cristo e multiplique os irmãos que são imitadores de Cristo (1 Co. 11:1).

Pr. Dan Oliveira.

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Justificativa x Justificação

“… E ser encontrado nele, não tendo a minha própria justiça que procede da lei, mas a que vem mediante a fé em Cristo, a justiça que procede de Deus e se baseia na fé.” Filipenses 3:9

Como todo bom professor Paulo nunca temeu a repetição, sabia que as grandes verdades salvadoras do cristianismo não mudam. Por isso, ele volta a falar sobre justificação, porque naquela época e hoje ainda, muitos cristãos vivem se apoiando em justificativas ao invés de desfrutar da justificação.

A justificativa é a tentativa da pessoa em declarar-se inocente e em recusar ser considerada culpada de algum erro cometido. A frase clássica do que busca justificar-se é: “Eu não tenho culpa”. Ele não somente se vê como inocente, como até mesmo se vê como vítima. Enquanto, a justificação é a ação de alguém que tem a autoridade para declarar perdoado o culpado. A justificação não diz que o culpado é inocente e que não tem culpa de ter cometido o erro, mas, sim diz que o culpado está perdoado das consequências que deveria sofrer por causa do erro cometido. Foi exatamente isso que Cristo fez por nós na cruz. Ele declarou por meio de Seu precioso sacrifício que estamos perdoados diante de Deus e por Ele. A frase daquele que é justificado por Cristo é: “Eu sou um pecador e mereço a condenação de Deus; eu sou culpado. Porém, a graça de Deus me alcançou”.

Deveríamos pagar pelos nossos pecados morrendo por causa deles. Mas, Cristo, para a glória de Deus e por amor a nós, assumiu a nossa condenação, ou seja, levou sobre Si a nossa culpa e colocou sobre nós a Sua obra. Quando alguém se justifica, demonstra que sua confiança está em si mesmo, e que tem a falsa ideia de que merece ser inocentado; mas quem foi justificado por Cristo, demonstra que sua confiança e esperança está somente em Deus apesar de não merecer. A justificativa nada mais é do que o orgulho e arrogância dos homens se expressando e não admitindo sua miserabilidade; a justificação leva à rendição diante de Deus, à gratidão por Seu amor ter sido derramado em seu coração conferindo-lhe uma nova natureza, a qual é santa e própria para estar diante de Deus.

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Interesses de um servo

“Todos os outros buscam os seus próprios interesses e não os de Jesus Cristo.” Filipenses 2:21

Servir na maioria das vezes carrega primeiro a marca hierárquica, e Jesus mostrou para seus discípulos que não se tratava disso. Tendo vivido como servo diante deles, Cristo agora os convoca também para o caminho do serviço. De certa forma, preferíamos ouvir Jesus nos chamar para rejeitar pai, mãe, casas, terras por causa do evangelho do que unir a recomendação de lavar os pés dos outros. Se renunciarmos a tudo, temos até mesmo a chance de um martírio glorioso. O serviço, porém, precisamos experimentar diversas mortes que ocorrem quando vamos além de nós mesmos. Ele nos deporta para o comum, trivial, e ninguém quer ser assim.

O serviço desobriga-nos a participar dos jogos deste mundo, de promoção e autoridade. Quando escolhemos servir, ainda estamos no comando. Decidimos a quem e quando servir. Se estamos no comando, nos preocuparemos muito sobre alguém pisar-nos, isto é, dominar-nos. Mas quando escolhemos ser servos, abrimos de mão ao direito de estar no comando. Há nisto uma grande liberdade. Se voluntariamente escolhermos deixar que tirem vantagem de nós, então não podemos ser manipulados. Quando escolhemos ser servo, sujeitamos ou rendemos o direito de decidir a quem e quando servir. Tornando-nos disponíveis e vulneráveis.

A servidão voluntária é motivo de grande alegria. Paulo se considerou servo de Cristo, como alguém que renunciou seus direitos. Por isso, servir e ser servo não é a mesma coisa. É possível ter domínio dos mecanismos de serviço sem provar essa disciplina. Ou seja, muitas pessoas nas igrejas servem com o que sabem ou são bons, com seus talentos. Mas não se atentam para uma vida de servidão, para renunciar seus direitos e vontades e de se humilhar diante de Deus. O interesse daquele que escolheu ser servo é somente fazer a vontade daquele a quem confiou sua vida.

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A alegria de colocar a salvação em prática

Imagine por um instante que você ganhou algo que sempre sonhou ter. Você recebe esse artefato como um presente, contudo a pessoa que o presenteou pede que você utilize isso da melhor forma e coloque em prática a funcionalidade desse produto. Você teria que investir tempo, usá-lo de forma responsável e correta, abençoando as pessoas e doando-se integralmente ao significado e a importância do presente.

Parece um pouco confuso, entretanto essa é a linha de pensamento do Apóstolo Paulo ao escrever aos filipenses “ponham em ação a salvação de vocês” (Fp 1.12c). Você pode refletir que a salvação é recebida pela graça, não por obras ou méritos humanos (Ef 2.8-9) e você estará certíssimo nesse raciocínio. Todavia, a ação ou prática da salvação que Paulo propõe está ligada ao crescimento espiritual e o desenvolvimento das características de Cristo no crente.

Em primeiro lugar, Paulo chama atenção para a necessidade de obediência do cristão a Deus. Essa obediência é baseada no exemplo incomparável de Cristo (Fp 2.8), buscando concretizar a salvação ao máximo, experimentando progressivamente todos os aspectos e bençãos da salvação. Deve-se fazer isso com “temor e tremor”, ou seja, com reverência, responsabilidade, devoção, etc. Uma outra forma de colocar a salvação em prática é através do testemunho cristão. Nesse sentido Deus quer que a igreja seja reconhecida como uma comunidade de: a) servos exemplares que não vivem em contendas e discussões, sendo reconhecidamente puros e irrepreensíveis (Fp 2.14-15a); b) filhos de Deus inculpáveis no meio de uma geração corrompida e depravada (Fp 2.15b); c) pessoas apegadas à Palavra de Deus e à mensagem do Evangelho (Fp 2.16). Uma terceira forma de se pôr a salvação em ação é por meio da própria oferta de vida do cristão.  A vida de Paulo estava sendo derramada como oferta ao Senhor e o serviço prestado pelos filipenses era tido como um sacrifício fruto da fé e obediência deles a Cristo. Essa mistura gerava alegria para ambos.

Portanto, Deus não salvou você para que estacione na vida espiritual ou que se feche em si mesmo! Coloque sua salvação em prática.

Pr. Dan Oliveira

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Estamos em obra

“Estou convencido de que aquele que começou boa obra em vocês, vai completá-la até o dia de Cristo Jesus.” Filipenses 1:6

Você já lidou com obra em casa? Geralmente é trabalhoso e demorado, não é algo tão simples. O verbo grego traduzido por “começou” no versículo acima é usado novamente apenas em Gl 3.3 – ambas as vezes em referência à salvação em si. Quando Deus inicia a obra da salvação em nós, ele termina e aperfeiçoa essa obra. Portanto, o verbo “completar” aponta para a segurança eterna do cristão.

É preciso dizer que a garantia da preservação divina não anula a responsabilidade e a perseverança humana. É fácil perceber que antes de dizer que Aquele que começou a boa obra nos crentes filipenses também haveria de completá-la, Paulo elogiou o empenho e o trabalho deles em prol da obra de Deus (Filipenses 1:5). Além disso, no capítulo seguinte o apóstolo coloca essas duas verdades lado a lado de forma ainda mais clara ao dizer: “Assim também operai a vossa salvação com temor e tremor, porque Deus é o que opera em vós tanto o querer como o efetuar, segundo a Sua boa vontade” (Filipenses 2:12,13).

Isso significa que a boa obra operada por Deus do começo ao fim no crente o capacita para uma vida de serviço em Sua obra. No Reino de Deus não há espaço para ociosidade. Ainda que seja verdade que Deus inicia sua obra para completá-la, também é verdade que, uma vez que Deus tenha começado Sua obra nos homens, estes jamais permanecem como meros instrumentos passivos. Na boa obra operada por Deus o entendimento do homem é iluminado, a inclinação de seu coração é transformada quando ele recebe vida espiritual, e seu caráter é moldado à semelhança de Cristo. Essa operação da graça de Deus na vida do homem o habilita e o qualifica para realizar boas obras, as quais sem a graça ele não poderia fazer. Então saber que Aquele que começou a boa obra em nós há de completá-la até o dia de Cristo Jesus, jamais deve ser um incentivo à negligência espiritual. Na verdade esse ensino deve nos encorajar a trabalhar ainda mais na causa do Evangelho, sabendo que o próprio Deus é quem está operando em nós a Sua boa obra. Como anda sua obra?

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Louvor e adoração ao Rei eternal

Algumas passagens bíblicas que abordam o contexto natalício de Jesus, enfatizam dois aspectos imprescindíveis para a compreensão de quem era esse menino: a) Jesus como rei; b) Jesus recebendo adoração e louvor.

Sobre a figura do rei que viria, o anjo Gabriel disse à Maria acerca de Jesus: “Ele será um grande homem e será chamado Filho do Deus Altíssimo. Deus, o Senhor, vai fazê-lo rei, como foi o antepassado dele, o rei Davi. Ele será para sempre rei dos descendentes de Jacó, e o Reino dele nunca se acabará” (Lc 1.32-33). A percepção de Jesus não apenas como mais um rei entre muitos é visível nesse trecho, assim como a ideia de um Reino eternal que se manifestaria através d’Ele.

É importante lembrar do episódio em que Lucas relata o encontro de um anjo do Senhor com os pastores de ovelhas. Depois de dar a notícia, se juntam a esse anjo uma multidão de seres angelicais, cantando hinos de louvor a Deus (Lc 2.13-14). Os pastores, após irem até Belém para presenciarem o nascimento de Jesus e relatar a mensagem recebida aos pais da criança, “voltaram para os campos, cantando hinos de louvor pelo que tinham ouvido e visto” (Lc 2.20).

Por fim, nos registros de Mateus, os sábios chegaram a Jerusalém e perguntaram: “Onde está o menino que nasceu para ser o rei dos judeus? Nós vimos a estrela dele no Oriente e viemos adorá-lo (Mt 2.2). Apesar dos planos maléficos de Herodes, os sábios seguiram a estrela e encontraram numa casa Maria e Jesus. Assim diz o texto: “Então se ajoelharam diante dele e o adoraram. Depois abriram seus cofres e lhes ofereceram presentes: ouro, incenso e mirra” (Mt 2.11).

Jesus é reconhecidamente o Rei dos reis (Ap 19.16) e também aquele que como Deus encarnado era digno de receber louvor e adoração (Mt 14.33; 28.9; Mc 16.1; Lc 24.10).  Por isso, pode-se dizer que uma das premissas essenciais do Natal é Jesus como “o Rei adorado”.Pr. Dan Oliveira

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NASCEU O CRISTO

Muitas pessoas, hoje em dia, ainda pensam na expressão “Cristo” como um sobrenome de Jesus. Contudo, o pensamento ocidental não se aplica ao panorama judaico do século I. Assim, torna-se importante entender que o vocábulo demanda um significado bíblico. Tanto Christos, que é um adjetivo verbal derivado de chrio, que significa “ungir”, como a expressão equivalente em  hebraico Meshiach, que é transliterado para a língua portuguesa através da palavra Messias, significam igualmente “ungido”.

Conforme os registros da Bíblia, várias pessoas foram ungidas, sendo que cada uma delas desempenhou papéis e missões especiais para Deus. Nesse sentido, cita-se Arão e seus filhos ungidos como sacerdotes de Deus (Êx 28.41); Davi ungido como rei de Israel (1 Sm 16.13); e Eliseu ungido profeta no lugar de Elias (1 Rs 19.16). Esses personagens, entre outros, são tipos de cristo, apontando de acordo com as Escrituras para da chegada do Cristo prometido, singular e único enviado por Deus para salvar os crentes.

Esse Cristo veio como um bebê, sendo envolto em panos e colocado numa manjedoura, servindo de sinal para os pastores que tiveram uma experiência com o anúncio angelical: “Hoje na cidade de Davi, lhes nasceu o Salvador, que é Cristo, o Senhor” (Lc 2.11).

O Cristo Jesus não ficou relegado a uma imagem infante, mas Ele mesmo se revelou em seu ministério terreno. Experiências como a da mulher samaritana e (Jo 4.25-26) e no episódio envolvendo Pedro e os discípulos (Mt 16.16), assim como a convicção paulina presente na introdução de seus escritos (Rm 1.1; 1 Co 1.1; 2 Co 1.1 Gl 1.1; Ef 3.1; Fp 1.1; Cl 1.1; 1 Ts 1.1; 2 Ts 2.1; 1 Tm 1.1; 2 Tm 1.1; Tt 1.1; Fm 1), mostram essa realidade sobre vinda do Ungido de Deus: Jesus.

O que o nascimento do Cristo significa pra você? Ele deve ser sempre a essência do Natal. Lembre-se disso!  

`Pr. Dan Oliveira