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Vocês corriam bem

É de praxe, em eventos ligados ao atletismo [corridas, saltos, arremessos, etc.], os vencedores ou medalhistas serem condecorados logo após o término da atividade desportiva. Essa também foi a tônica dos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020 [que ocorreram em 2021], mesmo com ausência de público e com protocolos diferenciados na premiação.

Algo curioso aconteceu com a corredora Sifan Hassan em Tóquio. A atleta holandesa ao correr numa das eliminatórias dos 1.500 metros, tropeçou na competidora Edina Jebitok, do Quênia, e caiu. Contudo, Hassan conseguiu se levantar e a ainda terminou a corrida classificatória em primeiro lugar. Naturalmente, esse foi um caso atípico e quase “miraculoso”, pois na esmagadora maioria das vezes que um atleta cai, em um percurso de curta duração, não consegue se recuperar. A queda quase sempre é sinônimo de derrota.

Como esse relato pode nos direcionar para algum aprendizado bíblico? Em alguns trechos das Escrituras, a vida é comparada com uma corrida. Dessa forma, Paulo registra: “Vocês não sabem que de todos os que correm no estádio, apenas um ganha o prêmio? Corram de tal modo que alcancem esse prêmio (1 Co 9.24). O Autor da Carta aos Hebreus afirma: “[…] corramos com perseverança a corrida que nos é proposta” (Hb 12.1c).

Paulo utiliza novamente essa figura de linguagem, enfatizando aos Gálatas: “Vocês corriam bem. Quem os impediu de continuar obedecendo a verdade?” (Gl 5.7). Os irmãos da Galácia começaram a corrida da vida cristã muito bem, firmando seus pés na verdade do evangelho pregado por Paulo. No entanto, a chegada de pregadores judaizantes naquela região, fez com aqueles cristãos adotassem práticas da lei judaica [principalmente a circuncisão] com o intuito de serem salvos ou justificados perante Deus. Assim, estavam deixando de lado a liberdade do evangelho, a salvação apenas pela graça, a justificação somente pela fé, removendo o escândalo da cruz de Cristo.

Precisamos continuar a combater o bom combate, para terminarmos a corrida e guardarmos a fé (2 Tm 4.7). Tomemos todo o cuidado para não sofrermos uma “queda”, algo que venha nos atrapalhar ou nos desviar do “Caminho” que é Jesus (Jo 14.6).

Pr. Dan Oliveira

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Lançando fora o legalismo

“Sara, porém, viu que o filho que Agar, a egípcia, dera a Abraão estava rindo de Isaque, e disse a Abraão: ‘Livre-se daquela escrava e do seu filho, porque ele jamais será herdeiro com o meu filho Isaque’.” Gênesis 21.9-10

A velha natureza ama o legalismo, pois ele dá à antiga natureza uma oportunidade de mostrar seu “lado bom”. Não era muito difícil para Ismael deixar de fazer certas coisas erradas ou de realizar certos atos religiosos, desde que continuasse sendo Ismael. Durante dezessete anos, Ismael não causou problema algum em casa; então, quando Isaque entrou em cena, começaram os conflitos. O legalismo alimenta Ismael. O cristão que afirma ser espiritual por causa do que deixa de fazer está apenas enganando a si mesmo. É preciso mais do que negações para construir uma vida espiritual positiva e frutuosa.

Por isso, é impossível que a lei e a graça, a carne e o Espírito entrem em acordo e convivam. Deus não pediu a Agar e a Ismael que voltassem de vez em quando para fazer uma visita; foi um rompimento permanente. Os judaizantes do tempo de Paulo – e legalistas de nossos dias – tentam conciliar Sara com Agar e Isaque com Ismael, uma conciliação contrária à Palavra de Deus. É impossível misturar a lei com a graça, a fé com as obras e a justificação que Deus concede com a tentativa humana de merecer a justificação.

A igreja hoje corre o risco de cometer o mesmo erro que os gálatas: podem deixar de expulsar Agar e Ismael. Graças a Deus, o cristão foi liberto da maldição e do controle da Lei. “Lança fora a escrava e seu filho.” Trata-se de um passo que pode ser extremamente doloroso para nós, como foi para Abraão; mas precisa ser dado. A tentativa de combinar Lei e graça é uma missão impossível. Serve apenas para criar uma vida cristã frustrada e estéril. Mas, ao caminhar pela graça, mediante a fé, somos conduzidos a uma vida cristã livre e plena.

Preocupações Lícitas

Numa compreensão genérica, uma pessoa que se intitula “preocupada” receberá o status negativo que essa expressão acarreta. A ocupação antecipada da mente, normalmente está ligada com a ideia de ansiedade ou falta de confiança em Deus: “Portanto, não se preocupem com o amanhã, pois o amanhã trará suas próprias preocupações […]” (Mt 6.34a). Isso não deixa de ser uma verdade irrefutável, contudo ao escrever para os irmãos da Galácia (Gl 4.8-20), Paulo se mostra “preocupado” ou “considera com grande afinco” as incorrências entre o evangelho de Cristo e as manifestações de fé daquelas pessoas.

A primeira preocupação lícita de Paulo era o retorno dos gálatas aos “princípios elementares […] sem poder” (v.9), temendo a inutilidade de seus esforços (v.11). Paulo os acusa de após terem conhecido Deus e serem libertos da escravidão, estavam voltando a guardar aspectos da lei mosaica ritualística (v.10). A segunda preocupação lícita era fruto de um belo elogio, pois a igreja da Galácia teria recebido muito bem Paulo na primeira vez que pregou naquela região (v.14b). Mesmo Paulo possuindo uma doença nos olhos (v.13,15b), os irmãos daquele local não o trataram com desprezo (v.14a). Por isso, Paulo os questiona: “Que aconteceu com a alegria de vocês?” (v.15a) e “Tornei-me inimigo de vocês por lhes dizer a verdade?” (v. 16). Assim, parece que os gálatas mudaram sua forma de considerar o apóstolo e sua mensagem. A terceira preocupação lícita do apóstolo se dava na área do “zelo”. Havia falsos mestres distorcendo o evangelho, buscando agradar os irmãos com o intuito de isolá-los para receber o zelo/consideração dos gálatas (v.17). Paulo sofre como uma mulher que está em dores de parto para que o alvo do zelo dos gálatas seja o próprio Cristo (v.19).

Paulo está perplexo com as atitudes dessa igreja (v.20): a) retorno às práticas religiosas que não salvam; b) desprezo por aqueles que pregam a verdade do evangelho; c) envolvimento com falsos mestres e doutrinas. Essas preocupações são realidades muito atuais e estão travestidas de “espiritualidade” em boa parte de igrejas consideradas cristãs. Preocupe-se com essas questões como Paulo as considerou.Pr. Dan Oliveira